Galáxias do Conhecimento - Cosmologia

Notícia

03/06/2026

Novo mapeamento da teia cósmica com o Telescópio Espacial James Webb é o mais detalhado já produzido

Ela parecia uma única estrutura homogênea, mas revela-se um conjunto de múltiplas estruturas menores graças à resolução sem precedentes do JWST.


Seção transversal da teia cósmica

O programa COSMOS-Web

Fazendo parte do primeiro ciclo de estudos do Telescópio Espacial James Webb (JWST - James Webb Space Telescope), o programa COSMOS-Web utiliza a NIRCam - Near Infrared Camera (câmera de infravermelho próximo) para cobrir uma área contínua do céu de 0,6 grau quadrado (o equivalente a cerca de três luas cheias) e, em paralelo, o MIRI - Mid Infrared Instrument (instrumento de infravermelho médio) para observar uma área descontínua de 0,2 grau quadrado.

O programa foi concebido com alguns objetivos centrais:

  • mapear galáxias distantes;
  • estudar a evolução cósmica;
  • investigar a distribuição de matéria escura;
  • reconstruir a teia cósmica;
  • observar o universo primitivo.

A ilustração que abre este artigo mostra uma seção transversal do novo mapa da teia cósmica resultante desse ambicioso levantamento — o mais detalhado já produzido — revelando galáxias distribuídas ao longo de aproximadamente 14 bilhões de anos de história cósmica.

O vértice à esquerda representa o universo atual. À medida que se avança para fora, cada galáxia é posicionada de acordo com sua distância no tempo cósmico, remontando a épocas em que o universo tinha menos de um bilhão de anos de idade.

As regiões em amarelo brilhante representam os densos filamentos e aglomerados da teia cósmica, enquanto as áreas escuras correspondem aos enormes vazios quase desprovidos de galáxias.

Como surgiu o projeto COSMOS?

O COSMOS-Web faz parte do projeto COSMOS, iniciado em 2002 como um programa do Telescópio Espacial Hubble (HST - Hubble Space Telescope), com o objetivo de obter imagens de uma região do céu muito maior do que os levantamentos profundos tradicionais.

O campo original observado pelo Hubble abrangia uma área equivalente a aproximadamente dez luas cheias no céu.


COSMOS-Webb
Comparação entre a área do céu coberta pelo COSMOS-Web e o campo COSMOS original do Hubble, um mosaico composto por 575 imagens separadas da câmera avançada de pesquisas do HST (ACS - Advanced Camera for Surveys). [Créditos: NASA, ESA, Jeyhan Kartaltepe (RIT), Caitlin Casey (UT Austin), Anton Koekemoer (STScI); Design gráfico: Alyssa Pagan (STScI); via NASA]

Com o passar dos anos, a iniciativa cresceu exponencialmente, incorporando observações realizadas pela maioria dos principais telescópios terrestres e espaciais do mundo. Atualmente, o COSMOS tornou-se um grande levantamento astronômico multi-comprimento de onda, cobrindo praticamente todo o espectro eletromagnético — dos raios X às ondas de rádio.


A estrutura da teia cósmica

A teia cósmica pode ser definida como a estrutura do universo em larga escala: uma gigantesca rede de filamentos e camadas de matéria escura e gases interligando galáxias e aglomerados em uma arquitetura cósmica extremamente complexa.

Entre esses filamentos existem imensos vazios cósmicos praticamente desprovidos de matéria visível, formando o padrão estrutural que domina a distribuição das galáxias no universo.

No âmbito do programa COSMOS-Web, uma colaboração internacional liderada por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Riverside produziu o mapeamento mais refinado dessa estrutura já obtido até hoje. Os resultados foram divulgados em abril de 2026 em artigo publicado no Astrophysical Journal (link nas referências).

O levantamento utilizou observações — obtidas pelo James Webb — de aproximadamente 164 mil galáxias, tornando-se o estudo mais amplo já realizado com o telescópio para investigar a formação da estrutura cósmica em larga escala.

O que o novo mapa revelou?

Os pesquisadores analisaram a evolução das galáxias desde pouco após a chamada época da reionização até os dias atuais.

Durante essa fase inicial da história cósmica, ocorrida entre aproximadamente 400 e 900 milhões de anos após o Big Bang, a formação das primeiras estrelas e galáxias liberou enormes quantidades de energia, transformando o hidrogênio neutro do universo primitivo em hidrogênio ionizado. Esse processo tornou o universo transparente à luz.

Embora o universo tenha atualmente cerca de 13,8 bilhões de anos, as observações utilizadas na construção do novo mapa remontam a apenas cerca de 1 bilhão de anos após o Big Bang.

Mesmo nesse estágio extremamente inicial, o que o James Webb revelou foi surpreendente: a teia cósmica já aparecia claramente estabelecida e exercendo forte influência sobre a formação das estruturas futuras do universo.

Essas descobertas indicam que essa organização em larga escala pode ter desempenhado um papel determinante na evolução das galáxias e aglomerados, funcionando como a estrutura fundamental sobre a qual o cosmos se desenvolveu.

O nível de detalhamento obtido também revelou algo inesperado: a teia cósmica não parece ser uma estrutura uniforme e contínua. Em vez disso, ela apresenta subdivisões e filamentos menores anteriormente invisíveis, sugerindo uma organização interna muito mais complexa do que se imaginava.

Os resultados do COSMOS-Web reforçam a ideia de que a teia cósmica constitui a verdadeira estrutura fundamental do universo em larga escala.

Nos tópicos relacionados abaixo, entenda em detalhes o que é a teia cósmica e veja também como os astrônomos conseguiram fotografar pela primeira vez um filamento cósmico.


Tópicos relacionados



★ Edição: Mauro Mauler - notícia publicada em 3 de junho de 2026

★ Referências:


topo