Modelo Cosmológico Padrão
Pilares teóricos do Big Bang

A teoria do Big Bang apoia-se solidamente em dois fundamentos teóricos: a relatividade geral e o princípio cosmológico.
Teoria da relatividade geral
Por que os objetos caem no chão? O que nos prende à Terra? Qual é a explicação para as órbitas dos planetas ao redor do Sol? Enfim, o que faz com que os corpos sejam atraídos uns pelos outros?
O primeiro a propor uma teoria consistente sobre a gravidade foi Isaac Newton, em 1680, e seu modelo tornou-se o paradigma dominante e indiscutível por mais de dois séculos. Mesmo nos dias atuais, ainda é o mais adotado na maioria das situações práticas da vida humana.
De fato, a chamada mecânica newtoniana continua bem presente nos cálculos que fundamentam nossas obras arquitetônicas e de engenharia, na indústria de veículos, inclusive jatos supersônicos, e até em projetos de astronaves, dentre outras múltiplas aplicações.
Porém, se formos mais a fundo, constataremos que a teoria de Newton é bem restritiva, pois funciona apenas para corpos em repouso ou em velocidades muito pequenas em relação à velocidade da luz.
A teoria da relatividade geral, publicada por Albert Einstein em 1915, introduziu uma nova e surpreendente visão da gravitação universal.
Newton considerava o tempo como um ente absoluto, independente do espaço. Com a relatividade, o tempo se agrega ao espaço de três dimensões, formando o espaço-tempo quadridimensional.
Einstein deixou de lado o conceito de campo gravitacional, explicando a gravidade como efeito de distorções do tempo e do espaço por si mesmos. O físico norte-americano John Wheeler expressou bem essa ideia ao dizer: "o espaço-tempo induz a matéria a se mover e a matéria induz o espaço-tempo a se curvar".

[Imagem: Johnstone, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons]
De imediato, a teoria já foi capaz de explicar peculiaridades da órbita de Mercúrio e a curvatura da luz solar, ambas incompreensíveis pela teoria de Newton. Ao longo do tempo, a relatividade geral foi sendo confirmada por uma série de rigorosos experimentos.
O modelo fornece equações cujo desenvolvimento levaram à conclusão de que o universo está se expandindo. Todavia, a princípio, Einstein não aceitava esse fato, embora sua própria teoria o demonstrasse.
Por isso, o autor da relatividade acrescentou a suas equações originais um novo componente, chamado de constante cosmológica, que equilibrava as coisas de modo a garantir um universo eternamente estático. A grandeza passou a compor as equações de campo da teoria, representada por Λ (lambda). Mais tarde, ele afirmaria ter sido este o seu "maior erro".
Ironicamente, a constante cosmológica retornaria ao cenário científico associada à misteriosa energia escura que, como veremos nos próximos artigos desta série, é responsável por acelerar a expansão do universo.
Teorias da Gravidade


Princípio cosmológico
Com o advento da relatividade geral, alguns cientistas, inclusive Einstein, começaram a tentar aplicar a nova dinâmica gravitacional ao universo como um todo, e isso trouxe à tona a necessidade de uma suposição sobre como a matéria se encontra nele distribuída.
Contínuas observações astronômicas, em escalas cada vez maiores, vêm demonstrando que o universo, em suficientemente larga escala, tem uma aparência idêntica em qualquer região observada (homogeneidade), seja qual for a direção da observação (isotropia).
Isto significa que, em larga escala, o universo é homogêneo e isotrópico. Este é o princípio cosmológico, outro importante suporte teórico do Big Bang.

A teoria da relatividade geral e o princípio cosmológico são sólidos argumentos teóricos em favor do Big Bang. Além disso, há evidências experimentais que corroboram o modelo. Continue lendo...
★ Edição: Mauro Mauler - Artigo publicado originalmente em 17/10/2023. Última revisão: 18/02/2026.
★ Referências:
- EINSTEIN, A. (1916). Die Grundlage der allgemeinen Relativitätstheorie. Annalen der Physik, 49, 769-822.
- EINSTEIN, A. Relativity - The Special and General Theory. Project Gutenberg, 01 out 2008 (última atualização 02 mai 2023).
- NASA/WMAP Science Team. Página oficial. Último acesso 15 fev 2026.
- WEINBERG, Steven. Cosmology. Oxford: Oxford University Press, 2008 (Reimpressão 2018).
- WMAP Science Team. Cosmology: The Study of the Universe.
NASA's Wilkinson Microwave Anisotropy Probe, última atualização 06 jun 2011,
https://wayback.archive-it.org/21834/20250903013614/https://map.gsfc.nasa.gov/universe/
(último acesso 15 fev 2026)




