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Mapas celestes



Planisfério do século XVII
Planisfério celeste do século XVII, do cartógrafo holandês Frederik de Wit. [Imagem: domínio público, via Wikimedia Commons]

Os mapas celestes, também chamados de cartas celestes, são representações gráficas completas ou parciais da esfera celeste, usadas para identificar planetas, estrelas e constelações no firmamento.

Em tempos antigos, antes das tecnologias modernas, o céu era o principal "mapa" de orientação geográfica para os seres humanos. Por isso, é natural que existam vestígios de cartas celestes desde os primórdios da civilização, empregadas tanto em viagens terrestres quanto marítimas.


Mapa celeste chinês
Carta celeste chinesa de 1092. [Ilustração extraída da obra de Joseph Needham: Science and Civilisation in China - Vol. 3, 1956]

Planisférios celestes

Assim como fazemos com os mapas da superfície terrestre, também é possível representar o céu em um planisfério, que é qualquer projeção plana (um mapa bidimensional), total ou parcial, da esfera celeste (ou terrestre).

No caso dos planisférios celestes, os tipos de projeção mais usados são:

  • Retangular: como o próprio nome indica, projeta o céu em um mapa retangular. Tem a desvantagem de provocar distorções, especialmente em latitudes elevadas e, de modo mais acentuado, nas imediações das estrelas circumpolares. Apesar disso, é muito útil para observadores localizados entre 50° norte e 50° sul.
  • Estereográfica: projeção circular da esfera celeste, que preserva as posições angulares relativas dos astros.
  • Azimutal: caso particular da projeção estereográfica, realizada a partir de um ponto tangente da esfera a um plano - por exemplo, um dos polos celestes. Essa forma resulta em linhas concêntricas e se destaca por preservar a fidelidade do posicionamento relativo das estrelas circumpolares.

Entre astrônomos amadores e em materiais didáticos mais recentes, costuma-se chamar de planisférios os populares discos giratórios. Eles adotam projeção estereográfica e utilizam máscaras que permitem ajustar o mapa a diferentes dias e horários, conforme a localização geográfica. Dessa forma, substituem a necessidade de múltiplos mapas fixos.


Outras modalidades de mapas celestes

Além dos planisférios, as cartas celestes físicas podem assumir diversos formatos. Alguns exemplos são:

  • Atlas estelares: cartas impressas em folhas avulsas ou livros, geralmente divididos por hemisfério ou por coordenadas celestes. Oferecem detalhamento maior que o dos planisférios, incluindo estrelas de magnitudes mais fracas, nebulosas, aglomerados, entre outros.
  • Mapas de constelações: representam constelações individuais ou pequenos grupos delas. São ideais para quem deseja iniciar o estudo do céu de forma gradual, com níveis variados de detalhamento.
  • Globos celestes: representam a esfera celeste em objetos tridimensionais, de modo análogo aos globos terrestres, mas exibindo estrelas e constelações no lugar de continentes e oceanos.

Recursos digitais

Atualmente, também existem modernos recursos digitais on-line, que oferecem visões dinâmicas e interativas do céu, com muitas opções interessantes. Entre os melhores estão:

  • Stellarium Web: visualização em tempo real do céu noturno, baseada na localização geográfica do usuário. Também disponível como aplicativo.
  • Heavens-Above - Interactive Sky Chart: ferramenta de interface simples, porém eficiente, para explorar o céu e rastrear satélites, planetas e outros objetos. Permite personalizar a localização geográfica e destaca eventos como as passagens da Estação Espacial Internacional.
  • SkyLive: coleção de mapas celestes em tempo real, configuráveis pela localização. Inclui informações sobre eventos astronômicos e o posicionamento dos astros.
  • Sky Map Online: simulador interativo do céu noturno, leve e funcional, que destaca constelações e estrelas brilhantes. Oferece ajustes manuais de localização, data e hora.
  • Night Sky Map - Time and Date: interface simples que mostra as estrelas e constelações visíveis no momento do uso, com ferramentas para ajuste de localização, data e até condições atmosféricas.

O uso dessas ferramentas digitais é altamente recomendável. No entanto, para quem deseja se aprofundar na Astronomia Observacional, os mapas tradicionais continuam indispensáveis - e por uma razão muito simples.

Imagine-se em um local ideal para observação, longe das luzes da cidade e sem acesso a eletricidade. O céu se revela em todo o seu esplendor, mas seu celular pode estar com a bateria fraca, um aplicativo pode falhar, e o computador, sem energia, se torna inútil.

Nesse momento, ter em mãos um mapa celeste impresso pode fazer toda a diferença. Além de funcionar independentemente de tecnologia, ele permite uma navegação rápida e intuitiva pelo céu, sem distrações, garantindo o máximo aproveitamento da rara experiência de observar sob um céu verdadeiramente escuro.


Mapas celestes para imprimir

As duas versões de cartas celestes giratórias a seguir estão prontas para imprimir, recortar e montar: um planisfério hemisférico, adequado para qualquer latitude, e um modelo tradicional, ajustado para a latitude 30° sul.

Clique com o botão direito do mouse sobre as imagens, salve-as em seu computador e siga as instruções de montagem.

O material é cortesia do site Astronomia & Astronáutica, cuja visita recomendo fortemente, sobretudo para quem deseja aprofundar-se em detalhes técnicos e obter orientações práticas para a Astronomia Observacional.

1. Planisfério hemisférico para todas as latitudes


Planisfério hemisférico
Planisfério hemisférico
Planisfério hemisférico

Instruções

1 - Salve os dois mapas e a máscara no seu computador. Imprima os três desenhos na mesma escala. Lembre-se de não usar as opções de impressão: "ajustar à folha" nem "permitir distorção", use apenas a opção "centralizar na folha" nas três impressões.

2 - Recorte os dois mapas no círculo externo e cole um no outro cuidando para alinhar os dois lados, por exemplo: use a constelação de Órion, que está no topo dos dois mapas na linha do equador, como referência (coloque os dois discos juntos contra uma lâmpada para ver o alinhamento pela transparência). Cola branca não é um boa opção, pois deixa o papel ondulado; prefira fita adesiva dupla face ou cola em bastão.

3 - Na folha da máscara, recorte com um estilete apenas a linha curva correspondente à sua latitude (se for um valor intermediário, marque antes com lápis) e dobre a folha ao meio na altura da linha horizontal de latitude 0°.

4 - Faça um furo com tachinha no centro do mapa e no pequeno círculo que existe na linha de latitude 0o. Coloque o mapa, cuidando para que os hemisférios celestes fiquem no lado correto da máscara (observe as marcas dos pontos cardeais na máscara).


Planisfério hemisférico

Planisfério hemisférico

Dica 1: se você viaja para outras latitudes, faça as máscaras necessárias para cada latitude visitada e use o mesmo mapa, intercambiando de uma máscara para outra.

Dica 2: após colar os dois mapas dos hemisférios e antes de cortar a máscara, é interessante plastificá-los.




2. Planisfério tradicional para latitude -30°


Planisfério para latitude -30°
Planisfério hemisférico



Instruções

1 - Imprima uma cópia do mapa e duas cópias da máscara. Para melhor impressão, salve as figuras e depois use um software editor de imagens para imprimi-los. Lembre-se de usar a mesma escala para o mapa e as máscaras ao imprimir, de forma a usar a maior área possível da folha de papel (aconselhável: 50% do tamanho original). Não usar as opções de impressão: "ajustar à folha" nem "permitir distorção", use apenas a opção "centralizar na folha" e "escala = 50%" nas duas impressões.

2 - Recorte o mapa na sua borda externa em forma circular.

3 - Recorte a parte oval pela linha preta grossa de uma das cópias da máscara; deixe a outra inteira.

4 - Você pode optar por colar as três folhas numa cartolina ou papel cartonado para dar maior rigidez.

5 - Com uma tachinha, faça um furo no centro do mapa e na marca de 30° da cópia da máscara que não foi recortada (inferior).

6 - Coloque a tachinha no furo por trás da máscara inferior, coloque o mapa por cima encaixando no furo e, por fim, coloque a máscara recortada (superior), ajustando bem sobre sua cópia de baixo.

7 - Cole as duas máscaras nos cantos, cuidando para não colar o mapa, que deve girar livremente. Se você colou o mapa em um papel cartonado um pouco grosso, coloque pedaços desse mesmo material entre as máscaras nos cantos, para dar espaço para o mapa. Coloque um pedacinho de borracha na ponta da tachinha, a tampinha traseira de uma caneta Bic serve bem como proteção.


Planisfério para latitude -30°


Agora que você dispõe das informações básicas e de mapas celestes para reconhecer os objetos do céu noturno, que tal começar a ampliar sua visão com instrumentos ópticos, como lunetas e telescópios? Continue lendo...



★ Edição: Mauro Mauler - Artigo publicado originalmente em 19/02/2024.
★ Última revisão e atualização: 24/09/2025.


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